Movie
Ordet, Carl Theodor Dreyer, 1955
Provavelmente, um dos mais belos filmes do mundo.
Dele, Carl Dreyer, podia ter escolhido The Passion of Joan of Arc (1928), Vampyr (1932), Day of Wrath (1943), and Gertrud (1964), todos filmes que me são profundamente intensos. Mas, por razões que a razão desconhece, Ordet tem muito do que eu não sabia de mim e só compreendi quando o vi. Talvez por Kierkegaard e como eu fui infectado por esse delírio que habita os grandes autores, talvez porque a palavra é a borboleta que se chamusca ao aproximar-se demasiado da luz. Talvez porque somos todos assim: precipícios! Ou como na bela expressão latina abyssus abyssum invocat. E esta é invocação absoluta. Deus ou o abismo, na visão do ou...ou kierkegaardiano.
Notas:
1. O director de fotografia, um senhor chamado Henning Bendtsen. Um dos maiores, fiel presença nos filmes maiores de Carl Dreyer. Mas, também, e que fotografia!; nos primeiros grandes filmes de Lars von Trier, Europa e Epidemia e nesse desconhecido, mas imerecidamente, Hagbard and Signe, de Gabriel Axel, que realizou uma das pérolas menores, como gosto de dizer, do cinema, chamado Babette's Feast (1987), uma lição do prazer face à rigidez luterana. Tem uma cena no fim, que foi a que me fez rir mais até agora num filme: a ligeireza com que a dama sobe para a carruagem após o banquete é toda uma lição de vida. (Como vêem, rio-me com pouco!)
2- A ver absolutamente, a entrevista de Carl Dreyer a Eric Rohmer, na célebre série de Cinéastes de Notre Temps. Num francês impecável, Dreyer mostra porque só ele podia realizar os seus filmes e como o cinema tem uma disciplina em que só o longo plano permite o confronto, a tensão entre o som e a imagem, entre o silêncio e a palavra.
"I believe that long takes represent the film of the future. You must be able to make a film in six, seven, eight shots...Short scenes, quick cuts in my view mark the silent film, but the smooth medium shot — with continual camera movement — belongs to the sound film. " — Carl Theodor Dreyer
E depois veio Holywood e a voragem, a velocidade comerciais.....
Ordet
Directed by Carl Theodor Dreyer
Produced by Carl Theodor Dreyer
Based on Ordet (1932 play)
by Kaj Munk
Starring Henrik Malberg
Emil Hass Christensen
Cay Kristiansen
Preben Lerdorff Rye
Music by Poul Schierbeck
Cinematography Henning Bendtsen
126 minutes
Country Denmark
Language Danish
música
Carl Nielsen - Moderen - Så bittert var mit hjerte
Ole Hedegaard (tenor)
South Jutland Symphony Orchestra
Conducted by John Frandsen
https://youtu.be/hRcG3LgggNI
Ordet, Carl Theodor Dreyer, 1955
Provavelmente, um dos mais belos filmes do mundo.
Dele, Carl Dreyer, podia ter escolhido The Passion of Joan of Arc (1928), Vampyr (1932), Day of Wrath (1943), and Gertrud (1964), todos filmes que me são profundamente intensos. Mas, por razões que a razão desconhece, Ordet tem muito do que eu não sabia de mim e só compreendi quando o vi. Talvez por Kierkegaard e como eu fui infectado por esse delírio que habita os grandes autores, talvez porque a palavra é a borboleta que se chamusca ao aproximar-se demasiado da luz. Talvez porque somos todos assim: precipícios! Ou como na bela expressão latina abyssus abyssum invocat. E esta é invocação absoluta. Deus ou o abismo, na visão do ou...ou kierkegaardiano.
Notas:
1. O director de fotografia, um senhor chamado Henning Bendtsen. Um dos maiores, fiel presença nos filmes maiores de Carl Dreyer. Mas, também, e que fotografia!; nos primeiros grandes filmes de Lars von Trier, Europa e Epidemia e nesse desconhecido, mas imerecidamente, Hagbard and Signe, de Gabriel Axel, que realizou uma das pérolas menores, como gosto de dizer, do cinema, chamado Babette's Feast (1987), uma lição do prazer face à rigidez luterana. Tem uma cena no fim, que foi a que me fez rir mais até agora num filme: a ligeireza com que a dama sobe para a carruagem após o banquete é toda uma lição de vida. (Como vêem, rio-me com pouco!)
2- A ver absolutamente, a entrevista de Carl Dreyer a Eric Rohmer, na célebre série de Cinéastes de Notre Temps. Num francês impecável, Dreyer mostra porque só ele podia realizar os seus filmes e como o cinema tem uma disciplina em que só o longo plano permite o confronto, a tensão entre o som e a imagem, entre o silêncio e a palavra.
"I believe that long takes represent the film of the future. You must be able to make a film in six, seven, eight shots...Short scenes, quick cuts in my view mark the silent film, but the smooth medium shot — with continual camera movement — belongs to the sound film. " — Carl Theodor Dreyer
E depois veio Holywood e a voragem, a velocidade comerciais.....
Ordet
Directed by Carl Theodor Dreyer
Produced by Carl Theodor Dreyer
Based on Ordet (1932 play)
by Kaj Munk
Starring Henrik Malberg
Emil Hass Christensen
Cay Kristiansen
Preben Lerdorff Rye
Music by Poul Schierbeck
Cinematography Henning Bendtsen
126 minutes
Country Denmark
Language Danish
música
Carl Nielsen - Moderen - Så bittert var mit hjerte
Ole Hedegaard (tenor)
South Jutland Symphony Orchestra
Conducted by John Frandsen
https://youtu.be/hRcG3LgggNI
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2016-10-03
6 fotos - Ver álbum
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