Drvo, (Árvore), André Gil Mata, 2018
André Gil Mata está a tornar-se um caso no cinema. O seu filme Drvo deixou o festival de Berlim estarrecido e em furor, alguns críticos considerando que tinha sido o mais importante e belo filme aí a ser exibido. Só quem não conhece as duas longas metragens anteriores, se pode surpreender. André Gil Mata faz parte de um projecto que, penso,pode vir a ter um impacto enorme no cinema do futuro. Estou a falar da Factory de Sarajevo, um projecto que juntou para cima de 40 cineastas de todo o mundo, numa formação fundada por Bela Tarr em 2012, a famosa film.factory, na Sarajevo School of Science and Technology. Bela Tarrr desembarcou em Sarajevo depois do Cavalo de Turim e de ter anunciado o fim da sua actividade como cineasta, com uma análise dura sobre o mundo actual do cinema e como o dinheiro tem vindo a destruir a arte. Justamente, André Gil Mata foi viver para Sarajevo, integrando-se nesse projecto, e vindo a formar-se sob a orientação de Bela Tarr passando a ser membro do colectivo art/film Bistrik7, um grupo de cineastas que constitui a primeira geração da film.factory de Bela Tarr.
É em Sarajevo, nesse mundo exterior e interior de uma cidade e de um país que sai das ruínas de uma guerra, que ele vai desenvolver alguns dos seus projectos, desde logo o belíssimo filme Kako sam se zaljubio u Evu Ras/How I Fell in Love with Eva Ras (2016) Como Me Apaixonei por Eva Ras (2016), talvez uma das mais belas homenagens ao cinema e aquilo que ele é enquanto memória e tempo, respiração de vida.
Drvo (A Árvore), filmado em condições climatéricas duríssimas, é uma viagem de um encontro mágico, de uma árvore perdida, de dois seres humanos órfãos de si mesmos, órfãos da vida, com o fundo longínquo de uma guerra. É um filme de duas fugas interiores, uma criança que percorre sozinho uma noite que não compreende, e um homem envelhecido, que rema numa noite onde o som abafado de morteiros se mistura com o tilitar das garrafas de vido vazias que ele transporta como uma canga existencial absurda. No diálogo final do encontro entre ambos, um diálogo onde as palavras se iluminam de uma estranha poesia, nesse milagre que só a poesia consegue entoar o que há de mais profundo na vida, no ser humano, percebemos que quem vive numa guerra, não tem para onde fugir, a não ser talvez esse encontro último e primeiro da vida, onde infância, futuro, e velhice, passado, se sonham mutuamente.
Drvo é um filme que abre uma imensidão. Deixa-nos em apneia numa espécie de fronteira onde todos os seres humanos se encontrarão um dia: a fronteira dos sonhos. Vê-lo é um imperativo: poucas vezes seremos tão profundamente espectadores de nós próprios.
José
André Gil Mata (Portugal)
André Gil Mata was born in 1978. Having studied mathematics, he has worked mostly in photography, theatre and film and is one of the founders of the Portuguese photography and cinema laboratory Átomo 47. In 2009, his debut short-film WATER ARK won several awards having been shown in several international festivals, as well as his second short-film HOUSE. GRAVEDIGGER, his third short-film, won the Mèlies d'Argent and CAPTIVITY, his first feature-length documentary won the DocAlliance Award at Cannes, in 2013. Gil Mata obtained his master degree in film direction in 2012, at Lisbon Theatre and Film School and finished his PhD at Film. Factory (Sarajevo) in 2016.
Cast
Petar Fradelić (Ibro)
Filip Živanović (Ibro, child)
Sanja Vrzić (Mother)
CREW
Written and directed by
André Gil Mata
Director of Photography
João Ribeiro
Editor
Tomás Baltazar
Sound Design
Rafael Cardoso
Sound
Antonio Pedro Figueiredo
Production Design
Sandra Neves
Producers
Joana Ferreira, Isabel Machado
104'
Language Bosnian
André Gil Mata está a tornar-se um caso no cinema. O seu filme Drvo deixou o festival de Berlim estarrecido e em furor, alguns críticos considerando que tinha sido o mais importante e belo filme aí a ser exibido. Só quem não conhece as duas longas metragens anteriores, se pode surpreender. André Gil Mata faz parte de um projecto que, penso,pode vir a ter um impacto enorme no cinema do futuro. Estou a falar da Factory de Sarajevo, um projecto que juntou para cima de 40 cineastas de todo o mundo, numa formação fundada por Bela Tarr em 2012, a famosa film.factory, na Sarajevo School of Science and Technology. Bela Tarrr desembarcou em Sarajevo depois do Cavalo de Turim e de ter anunciado o fim da sua actividade como cineasta, com uma análise dura sobre o mundo actual do cinema e como o dinheiro tem vindo a destruir a arte. Justamente, André Gil Mata foi viver para Sarajevo, integrando-se nesse projecto, e vindo a formar-se sob a orientação de Bela Tarr passando a ser membro do colectivo art/film Bistrik7, um grupo de cineastas que constitui a primeira geração da film.factory de Bela Tarr.
É em Sarajevo, nesse mundo exterior e interior de uma cidade e de um país que sai das ruínas de uma guerra, que ele vai desenvolver alguns dos seus projectos, desde logo o belíssimo filme Kako sam se zaljubio u Evu Ras/How I Fell in Love with Eva Ras (2016) Como Me Apaixonei por Eva Ras (2016), talvez uma das mais belas homenagens ao cinema e aquilo que ele é enquanto memória e tempo, respiração de vida.
Drvo (A Árvore), filmado em condições climatéricas duríssimas, é uma viagem de um encontro mágico, de uma árvore perdida, de dois seres humanos órfãos de si mesmos, órfãos da vida, com o fundo longínquo de uma guerra. É um filme de duas fugas interiores, uma criança que percorre sozinho uma noite que não compreende, e um homem envelhecido, que rema numa noite onde o som abafado de morteiros se mistura com o tilitar das garrafas de vido vazias que ele transporta como uma canga existencial absurda. No diálogo final do encontro entre ambos, um diálogo onde as palavras se iluminam de uma estranha poesia, nesse milagre que só a poesia consegue entoar o que há de mais profundo na vida, no ser humano, percebemos que quem vive numa guerra, não tem para onde fugir, a não ser talvez esse encontro último e primeiro da vida, onde infância, futuro, e velhice, passado, se sonham mutuamente.
Drvo é um filme que abre uma imensidão. Deixa-nos em apneia numa espécie de fronteira onde todos os seres humanos se encontrarão um dia: a fronteira dos sonhos. Vê-lo é um imperativo: poucas vezes seremos tão profundamente espectadores de nós próprios.
José
André Gil Mata (Portugal)
André Gil Mata was born in 1978. Having studied mathematics, he has worked mostly in photography, theatre and film and is one of the founders of the Portuguese photography and cinema laboratory Átomo 47. In 2009, his debut short-film WATER ARK won several awards having been shown in several international festivals, as well as his second short-film HOUSE. GRAVEDIGGER, his third short-film, won the Mèlies d'Argent and CAPTIVITY, his first feature-length documentary won the DocAlliance Award at Cannes, in 2013. Gil Mata obtained his master degree in film direction in 2012, at Lisbon Theatre and Film School and finished his PhD at Film. Factory (Sarajevo) in 2016.
Cast
Petar Fradelić (Ibro)
Filip Živanović (Ibro, child)
Sanja Vrzić (Mother)
CREW
Written and directed by
André Gil Mata
Director of Photography
João Ribeiro
Editor
Tomás Baltazar
Sound Design
Rafael Cardoso
Sound
Antonio Pedro Figueiredo
Production Design
Sandra Neves
Producers
Joana Ferreira, Isabel Machado
104'
Language Bosnian
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30/09/18
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