Tie Xi Qu: West of the Tracks, Wang Bing, 2002
Depois de, pela segunda vez, ver as 9 horas de Tie Xi Qu, não tenho dúvidas, como muitos críticos já consideraram, estamos perante um dos melhores documentários e filmes de todos os tempos. Felizmente, a obra de Wang Bing tem passado em Portugal, em festivais como o Doc Lisboa, ou mesmo no circuito comercial, como foi a retrospectiva feita no Cinema Ideal. Não é a primeira vez que coloco uma mensagem sobre Wang Bing, o que evidencia que a sua obra tem vindo a ganhar uma dimensão e magnitude que o configuram como um dos maiores cineastas do século XXI.
Tie Xi Qu, tem uma estrutura dialéctica ternária, cujos nomes, na tradução em Inglês, são: "Rust," "Remnants" e "Rails."Neste documentário, Wang Bing filma, com uma Panasonic AG-EZ1, em planos espantosos, aquele que é o conflito de uma China em mudança: a China das novas tecnologias, com a nova economia marcadamente capitalista, e a economia socialista, pesada e dura das fábricas e da indústria da zona de Tiexi, em Sheniang, capital da província de Liaoning. Todas essas fábricas, um dos baluartes da economia e da visão socialista, foram fechando progressivamente, desempregando operários e criando um "desemprego" da sociedade sobre que eram construídas. Entre a ferrugem, daquilo que parecia de aço inoxidável, os destroços e ruínas e essa rede de caminhos de ferros que perdeu a sua razão de existir, é um mundo em colapso a que assistimos, mostrado na forma muito pessoal de filmar do realizador, que trabalha quase sempre sozinho ou como uma equipa muito reduzida, e que, qual Virgílio, nos guia a esse inferno sulfúreo onde nos encontramos com pessoas cujo "único" pecado é terem sido e continuarem a ser cobaias de sistemas políticos e de economias completamente desumanos.
Tie Xi Qu é um documentário que está ao nível dos grandes documentários de todos os tempos, a começar logo pelo mais importante de todos, Человек с кино-аппаратом (o Homem da Máquina de Filmar, de Dziga Vertov, ou Nanook of the North (1922), de Robert Flaherty, ou, mais tarde, Nuit et Brouillard de Alain Resnais ou Shoah ,do recentemente falecido Claude Lanzmann, sem esquecer nomes como Chris Marker ou Jean Rouch ou mesmo o nosso António Campos.
Se tivesse que elaborar uma lista, coisa que não gosto de fazer, dos 10 melhores documentários de todos os tempos, teria muita dificuldade em não incluir Tie Xi Qu e mesmo os outros documentários de Wang Bing, que não ficam a perder para este.
José
Tie Xi Qu: West of the Tracks
2002 ‧ Documentary ‧ 9h 16m
Initial release: June 9, 2004 (France)
Director: Wang Bing
Screenplay: Wang Bing
Cinematography: Wang Bing
Producers: Wang Bing, Zhu Zhu
Depois de, pela segunda vez, ver as 9 horas de Tie Xi Qu, não tenho dúvidas, como muitos críticos já consideraram, estamos perante um dos melhores documentários e filmes de todos os tempos. Felizmente, a obra de Wang Bing tem passado em Portugal, em festivais como o Doc Lisboa, ou mesmo no circuito comercial, como foi a retrospectiva feita no Cinema Ideal. Não é a primeira vez que coloco uma mensagem sobre Wang Bing, o que evidencia que a sua obra tem vindo a ganhar uma dimensão e magnitude que o configuram como um dos maiores cineastas do século XXI.
Tie Xi Qu, tem uma estrutura dialéctica ternária, cujos nomes, na tradução em Inglês, são: "Rust," "Remnants" e "Rails."Neste documentário, Wang Bing filma, com uma Panasonic AG-EZ1, em planos espantosos, aquele que é o conflito de uma China em mudança: a China das novas tecnologias, com a nova economia marcadamente capitalista, e a economia socialista, pesada e dura das fábricas e da indústria da zona de Tiexi, em Sheniang, capital da província de Liaoning. Todas essas fábricas, um dos baluartes da economia e da visão socialista, foram fechando progressivamente, desempregando operários e criando um "desemprego" da sociedade sobre que eram construídas. Entre a ferrugem, daquilo que parecia de aço inoxidável, os destroços e ruínas e essa rede de caminhos de ferros que perdeu a sua razão de existir, é um mundo em colapso a que assistimos, mostrado na forma muito pessoal de filmar do realizador, que trabalha quase sempre sozinho ou como uma equipa muito reduzida, e que, qual Virgílio, nos guia a esse inferno sulfúreo onde nos encontramos com pessoas cujo "único" pecado é terem sido e continuarem a ser cobaias de sistemas políticos e de economias completamente desumanos.
Tie Xi Qu é um documentário que está ao nível dos grandes documentários de todos os tempos, a começar logo pelo mais importante de todos, Человек с кино-аппаратом (o Homem da Máquina de Filmar, de Dziga Vertov, ou Nanook of the North (1922), de Robert Flaherty, ou, mais tarde, Nuit et Brouillard de Alain Resnais ou Shoah ,do recentemente falecido Claude Lanzmann, sem esquecer nomes como Chris Marker ou Jean Rouch ou mesmo o nosso António Campos.
Se tivesse que elaborar uma lista, coisa que não gosto de fazer, dos 10 melhores documentários de todos os tempos, teria muita dificuldade em não incluir Tie Xi Qu e mesmo os outros documentários de Wang Bing, que não ficam a perder para este.
José
Tie Xi Qu: West of the Tracks
2002 ‧ Documentary ‧ 9h 16m
Initial release: June 9, 2004 (France)
Director: Wang Bing
Screenplay: Wang Bing
Cinematography: Wang Bing
Producers: Wang Bing, Zhu Zhu
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09/07/18
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