Two Years at Sea, Ben Rivers, 2011
Os filmes de Ben Rivers são experiências profundas da respiração mais lenta da vida, quase filmes-meditação, como eu classifico os filmes deste género. Com uma equipa limitadíssima, que o inclui a ele e ao sonoplasta, admirável trabalho de Chu-li Shewring, filmado numa velha Bolex de 16mm, (como gosto da textura destas imagens que jamais as máquinas digitais com as suas infernais aplicações e filtros poderão dar!), que ele depois trabalha, como diz, na pia da sua cozinha, Two Years at Sea é uma experiência de vida pós-apocalíptica, não de um apocalipse colectivo mas individual. Na verdade, como há muito o venho dizendo, vivemos hoje permanentemente numa sociedade pós-apocalíptica, de revelações electrónicas e numa espécie de êxtase místico, electrónico e digital.
Ver o filme é lembrar-se da primeira frase, santo e senha, do livro Les Rêveries du Promeneur Solitaire, de Rousseau: « Me voici donc seul sur la terre, n’ayant plus de frère, de prochain, d’ami, de société que moi-même »
Que é o romantismo senão um apocalipse do eu? Que é a civilização actual senão um apocalipse pseudo-romântico do eu, dum eu escondido e revelado pelo zilião de imagens que o mascaram e o destróem?
José
Two Years at Sea, Ben Rivers
2011 ‧ Documentary ‧ 1h 28m
After working at sea, Jake Williams realises his dream of living in isolation in a forest.
Initial release: December 8, 2011 (Venice)
Director: Ben Rivers
Screenplay: Ben Rivers
Producer: Ben Rivers
Music composed by: Jake Williams
Cast: Jake Williams
Os filmes de Ben Rivers são experiências profundas da respiração mais lenta da vida, quase filmes-meditação, como eu classifico os filmes deste género. Com uma equipa limitadíssima, que o inclui a ele e ao sonoplasta, admirável trabalho de Chu-li Shewring, filmado numa velha Bolex de 16mm, (como gosto da textura destas imagens que jamais as máquinas digitais com as suas infernais aplicações e filtros poderão dar!), que ele depois trabalha, como diz, na pia da sua cozinha, Two Years at Sea é uma experiência de vida pós-apocalíptica, não de um apocalipse colectivo mas individual. Na verdade, como há muito o venho dizendo, vivemos hoje permanentemente numa sociedade pós-apocalíptica, de revelações electrónicas e numa espécie de êxtase místico, electrónico e digital.
Ver o filme é lembrar-se da primeira frase, santo e senha, do livro Les Rêveries du Promeneur Solitaire, de Rousseau: « Me voici donc seul sur la terre, n’ayant plus de frère, de prochain, d’ami, de société que moi-même »
Que é o romantismo senão um apocalipse do eu? Que é a civilização actual senão um apocalipse pseudo-romântico do eu, dum eu escondido e revelado pelo zilião de imagens que o mascaram e o destróem?
José
Two Years at Sea, Ben Rivers
2011 ‧ Documentary ‧ 1h 28m
After working at sea, Jake Williams realises his dream of living in isolation in a forest.
Initial release: December 8, 2011 (Venice)
Director: Ben Rivers
Screenplay: Ben Rivers
Producer: Ben Rivers
Music composed by: Jake Williams
Cast: Jake Williams


24/10/18
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