Milla, Valérie Massadian, 2017
gifs pessoais
Quem viu Nana e segue a escassa obra de Valérie Massadian, não pode ficar surpreendido. Esta produção franco-portuguesa, é um dos grandes filmes dos tempos recentes que mostra o lado simultaneamente forte e frágil da mulher e da sua experiência e encontro consigo mesma. Valérie Massadian é uma fotógrafa e cineasta francesa de origem arménia, que tem vindo a construir uma obra de pequenos retratos de uma realidade longe dos holofotes, (como ela diz os seus filmes começam antes de mais pelo local onde vai filmar, sempre longe das grandes cidades, povoadas por automóveis e outros fantasmas tecnológicos desumanos), e uma obra de um olhar, como direi, intrigante e sem qualquer véu estético sobre a mulher e, neste caso, como ela é ou se torna mãe.
Neste filme, Milla é uma jovem, não actriz profissional, que Valérie Massadian escolheu num conjunto de jovens adolescentes mães, e que, de algum modo, representa uma dimensão da sua própria vida. Em longos planos, a narrativa desenvolve-se marcada por uma solidão e um silêncio que fazem do filme uma espécie de respiração silenciosa sobre a vida, o trabalho, o amor e como a solidão, ainda que povoada por quem se ama, se torna uma mortalha invisível.
Milla e Nana fazem, nas palavras da realizadora, parte de uma trilogia a que falta o terceiro elemento, que contempla três idades. Com elas, Valérie Massadian pretende deixar um rasto de experiências e olhares sobre esses mundos em que desde a mais tenra idade se chega à idade adulta. Com Milla, um dos grandes filmes de 2017, mostrou como uma jovem adolescente mãe solteira/viúva vive um quotidiano neutro, feito de um pequeno trabalho e de um quotidiano de ser mãe e como toda essa realidade é a penumbra de um mundo de ausências, não dolorosas ou angustiadas, mas simples território de vida. É um filme de vidas normais, de vivências reais, mas estranhas, onde, sem nunca sair da sua adolescência, uma jovem enfrenta uma realidade de perda e ganho, entre a morte e o nascimento.
Um filme colado à pele de quem existe sem grandes questões, sem grandes tragédias, ainda que as viva e encontre no quotidiano, nada fácil, uma espécie de "teologia da libertação". Uma lição pura de vida, numa difícil e brilhante interpretação, num filme que abre com um plano genial e nos mostra vagarosamente e sem pretensões estéticas de que é feita a vida. Uma vida pequena num grande filme, um filme pequeno numa grande vida. Assim, sem mais!
José
Initial release: August 5, 2017
Director: Valérie Massadian
Screenplay: Valérie Massadian
Producer: Sophie Erbs
Cast: Luc Chessel, Severine Jonckeere, Ethan Jonckeere
WITH Séverine Jonckeere, Luc Chessel DIRECTING AND EDITING Valerie Massadian IMAGE Mel Massadian, Robin Fresson SOUND Aline Huber PRODUCTION Cinèma DeFacto, Gaijin, Terratreme Filmes
2017 ‧ Drama ‧ 2h 8m
Cine+ Special Award - Locarno '17
Eurimages’ Audentia Award - Locarno '17
City of Lisbon Award for Best International Competition Film - DocLisboa '17
Prix Camira Pour le Long Métrage - Entrevues Belfort - Festival International du Film '17
Premio a la Mejor Película - Muestra Cine de Lanzarote '17
Best Director Award - FICUNAM'18
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Quem viu Nana e segue a escassa obra de Valérie Massadian, não pode ficar surpreendido. Esta produção franco-portuguesa, é um dos grandes filmes dos tempos recentes que mostra o lado simultaneamente forte e frágil da mulher e da sua experiência e encontro consigo mesma. Valérie Massadian é uma fotógrafa e cineasta francesa de origem arménia, que tem vindo a construir uma obra de pequenos retratos de uma realidade longe dos holofotes, (como ela diz os seus filmes começam antes de mais pelo local onde vai filmar, sempre longe das grandes cidades, povoadas por automóveis e outros fantasmas tecnológicos desumanos), e uma obra de um olhar, como direi, intrigante e sem qualquer véu estético sobre a mulher e, neste caso, como ela é ou se torna mãe.
Neste filme, Milla é uma jovem, não actriz profissional, que Valérie Massadian escolheu num conjunto de jovens adolescentes mães, e que, de algum modo, representa uma dimensão da sua própria vida. Em longos planos, a narrativa desenvolve-se marcada por uma solidão e um silêncio que fazem do filme uma espécie de respiração silenciosa sobre a vida, o trabalho, o amor e como a solidão, ainda que povoada por quem se ama, se torna uma mortalha invisível.
Milla e Nana fazem, nas palavras da realizadora, parte de uma trilogia a que falta o terceiro elemento, que contempla três idades. Com elas, Valérie Massadian pretende deixar um rasto de experiências e olhares sobre esses mundos em que desde a mais tenra idade se chega à idade adulta. Com Milla, um dos grandes filmes de 2017, mostrou como uma jovem adolescente mãe solteira/viúva vive um quotidiano neutro, feito de um pequeno trabalho e de um quotidiano de ser mãe e como toda essa realidade é a penumbra de um mundo de ausências, não dolorosas ou angustiadas, mas simples território de vida. É um filme de vidas normais, de vivências reais, mas estranhas, onde, sem nunca sair da sua adolescência, uma jovem enfrenta uma realidade de perda e ganho, entre a morte e o nascimento.
Um filme colado à pele de quem existe sem grandes questões, sem grandes tragédias, ainda que as viva e encontre no quotidiano, nada fácil, uma espécie de "teologia da libertação". Uma lição pura de vida, numa difícil e brilhante interpretação, num filme que abre com um plano genial e nos mostra vagarosamente e sem pretensões estéticas de que é feita a vida. Uma vida pequena num grande filme, um filme pequeno numa grande vida. Assim, sem mais!
José
Initial release: August 5, 2017
Director: Valérie Massadian
Screenplay: Valérie Massadian
Producer: Sophie Erbs
Cast: Luc Chessel, Severine Jonckeere, Ethan Jonckeere
WITH Séverine Jonckeere, Luc Chessel DIRECTING AND EDITING Valerie Massadian IMAGE Mel Massadian, Robin Fresson SOUND Aline Huber PRODUCTION Cinèma DeFacto, Gaijin, Terratreme Filmes
2017 ‧ Drama ‧ 2h 8m
Cine+ Special Award - Locarno '17
Eurimages’ Audentia Award - Locarno '17
City of Lisbon Award for Best International Competition Film - DocLisboa '17
Prix Camira Pour le Long Métrage - Entrevues Belfort - Festival International du Film '17
Premio a la Mejor Película - Muestra Cine de Lanzarote '17
Best Director Award - FICUNAM'18

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