segunda-feira, 25 de março de 2019

La résurrection des natures mortes , Bertrand Mandico, 2012

Bertrand Mandico é um dos mais singulares realizadores do nosso tempo. Os seus filmes, marcados por uma poética da imagem, são sempre propostas radicais sobre o que é hoje um objecto estético. Nesta curta, com uma esplendorosa Elina Löwensohn, actriz que eu passei a admirar a partir dos filmes de um outro realizador de que gosto bastante, Hal Hartley, o que assistimos é um interrogação profunda sobre a vida, mas também uma leitura radical sobre a sociedade e a realidade política, embora não directamente. Pode parecer que estou a exorbitar a leitura, mas é assim que me ocorre. Naquele mundo enigmático das naturezas mortas, como já na respectiva pintura se sente, o que está em causa é aquele momento congelado no tempo, em que uma realidade ainda tem suficiente vida nela para ainda parecer viva ou lembrar a vida. As naturezas mortas nunca foram fundamentalmente mementos mori: isso foi desenvolvido por outro tipo de pintura.
Neste universo enigmático, surreal o que Fièvre procura é trazer à vida uma natureza que já condenámos à morte há muito tempo. Com uma fotografia espantosa, A ressureição das naturezas mortas, é uma elegia e uma meditação de cortar o fôlego sobre o nosso esforço, científico ou estético, de ressuscitarmos o que, de algum modo, matámos.
José


Living Still Life
2012 ‧ short film/Science Fiction ‧ 16 mins
Initial release: September 6, 2012
Director: Bertrand Mandico
Screenplay: Bertrand Mandico
Music composed by: Ghédalia Tazartès
Cast: Elina Löwensohn, Jean-Marc Montmont
Producers: Philippe Bober, Urte Amelie Fink
FotoFotoFotoFoto
14/07/18
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