Recentemente, desapareceram dois grandes cineastas; Ermanno Olmi e Kira Muratova. De Ermanno Olmi já postei duas mensagens, de Kira Muratova falei no backstage quando falei de Larisa Shepitko e daquelas que eu considero as maiores cineastas de todos os tempos. Kira Muratova é uma delas. Em 2015, o Indie do Brasil fez uma retrospectiva da sua obra.
Muratova atravessa o ser humano e a sociedade como uma bala. Como diz o artigo, talvez só Stronheim o fez da mesma maneira, demolidora e perturbante, sobretudo no Blind Husbands ou na obra prima absoluta que é o Greed, todos muito antes de um dos mais célebres diálogos da história do cinema, o diálogo entre Jean Gabin e Stronheim no absolutamente inclassificável La Grande Illusion de Jean Renoir.
Na verdade, Kira Muratova descende de uma linhagem de cineastas que no silêncio onírico das imagens deixam entrar uma corrente de ar gelada e dificilmente dela saímos sem uma perturbação e um súbito frio. Entre pulsões e desejos, a realidade navega como um imenso cargueiro de ilusões a abater, como animais em direcção ao matadouro.
Por fim, é impossível falar de Kira Muratova sem falar de uma das actrizes que enche alguns dos seus filmes: Renata Litvinova, protagonista de uma das cenas mais alucinantes, estranhas e intensas do cinema. Mas essa é outra história: talvez a venha a contar numa tarde qualquer no seu devido lugar. Uma das tais cenas que usei durante bastantes anos para mostrar as razões pelas quais gosto de cinema e para dizer o que é o cinema, naquilo que eu consigo pensar sobre ele.
José
Muratova atravessa o ser humano e a sociedade como uma bala. Como diz o artigo, talvez só Stronheim o fez da mesma maneira, demolidora e perturbante, sobretudo no Blind Husbands ou na obra prima absoluta que é o Greed, todos muito antes de um dos mais célebres diálogos da história do cinema, o diálogo entre Jean Gabin e Stronheim no absolutamente inclassificável La Grande Illusion de Jean Renoir.
Na verdade, Kira Muratova descende de uma linhagem de cineastas que no silêncio onírico das imagens deixam entrar uma corrente de ar gelada e dificilmente dela saímos sem uma perturbação e um súbito frio. Entre pulsões e desejos, a realidade navega como um imenso cargueiro de ilusões a abater, como animais em direcção ao matadouro.
Por fim, é impossível falar de Kira Muratova sem falar de uma das actrizes que enche alguns dos seus filmes: Renata Litvinova, protagonista de uma das cenas mais alucinantes, estranhas e intensas do cinema. Mas essa é outra história: talvez a venha a contar numa tarde qualquer no seu devido lugar. Uma das tais cenas que usei durante bastantes anos para mostrar as razões pelas quais gosto de cinema e para dizer o que é o cinema, naquilo que eu consigo pensar sobre ele.
José
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