A música onde me oiço...
josé
Nesta nova colecção, tive dificuldade em saber por onde começar.
Claro, tinha o incontornável Bach ou Mahler. Mas o Requiem de Zimmerman é talvez a opus magnum do século xx, aquela que atravessa na sua estrutura as múltiplas vozes da vida e da morte desse século.
Composto entre 1967 e 1969, para dois declamadores, para solistas soprano e barítono, 3 coros, uma banda de jazz, órgão, gravações e uma orquestra junta e justapõe a uma Missa de Finados do rito latino textos literários, filosóficos, religiosos e políticos.
Três poetas são citados: Mayakovsky, Konrad Bayer e Sergei Yesenin, três poetas que se suicidaram, o que veio a acontecer também com o compositor.
A toda esta estrutura integram-se gravações com a voz de Ludwig Wittgenstein (Investigações Filosóficas), de James Joyce lendo o monólogo de Molly Bloom, de Kurt Schwitters, de Ezra Pound, de Albert Camus, de Hitler, de Alexander Dubček e outros, criando uma polifonia de ideias e sons que são a própria identidade múltipla do século XX.
No plano musical, Zimmerman interliga e cita diversos compositores, desde o Tristão e Isolda de Wagner até ao Hey Jude dos Beatles, passando pelo meu amado Milhaud.
No fundo, um requiem de um século de morte e guerra, um requiem que entra nos mais sombrios momentos da humanidade e mostra como a experiência da morte se tornou uma experiência de massas e multidões. Uma obra única que atravessa, como uma lâmina cortante, o que há de mais profundo em nós e nos deixa numa espécie de apocalipse de emoções e pensamentos.
A escutar como quem escuta o seu próprio pensamento!
josé, 2018
josé
Nesta nova colecção, tive dificuldade em saber por onde começar.
Claro, tinha o incontornável Bach ou Mahler. Mas o Requiem de Zimmerman é talvez a opus magnum do século xx, aquela que atravessa na sua estrutura as múltiplas vozes da vida e da morte desse século.
Composto entre 1967 e 1969, para dois declamadores, para solistas soprano e barítono, 3 coros, uma banda de jazz, órgão, gravações e uma orquestra junta e justapõe a uma Missa de Finados do rito latino textos literários, filosóficos, religiosos e políticos.
Três poetas são citados: Mayakovsky, Konrad Bayer e Sergei Yesenin, três poetas que se suicidaram, o que veio a acontecer também com o compositor.
A toda esta estrutura integram-se gravações com a voz de Ludwig Wittgenstein (Investigações Filosóficas), de James Joyce lendo o monólogo de Molly Bloom, de Kurt Schwitters, de Ezra Pound, de Albert Camus, de Hitler, de Alexander Dubček e outros, criando uma polifonia de ideias e sons que são a própria identidade múltipla do século XX.
No plano musical, Zimmerman interliga e cita diversos compositores, desde o Tristão e Isolda de Wagner até ao Hey Jude dos Beatles, passando pelo meu amado Milhaud.
No fundo, um requiem de um século de morte e guerra, um requiem que entra nos mais sombrios momentos da humanidade e mostra como a experiência da morte se tornou uma experiência de massas e multidões. Uma obra única que atravessa, como uma lâmina cortante, o que há de mais profundo em nós e nos deixa numa espécie de apocalipse de emoções e pensamentos.
A escutar como quem escuta o seu próprio pensamento!
josé, 2018
Bernd Alois Zimmermann: Requiem für einen jungen Dichter - Prolo








